CONTANDO A VERDADE, CANTANDO A HISTÓRIA

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Eduardo Sejanes Cezimbra

Transformar a sala de aula convencional em palco para um show musical pedagógico é a proposta inovadora de Waldemar Lima, o Pernambuco, conhecido ativista do movimento negro de Porto Alegre para tornar as aulas de história mais atraentes e interativas para os estudantes.

Através de um repertório de 15 sambas autorais interpretados pelo compositor Pernambuco e seis músicos profissionais uma história nunca antes contada vai sendo apresentada aos alunos e professores, como se pode constatar neste trecho do samba ‘ Quilombos Modernos’ :

“Não aceito a chibata

O chicote o pelourinho

Não aceito a chibata

O chicote o pelourinho

Vou rompendo as estruturas

Forjando novos caminhos

Vou rompendo as estruturas

Forjando novos caminhos

São milhares como eu

Queremos reinventar um novo jeito de vida

Um novo jeito de amar”

Abordando os conteúdos históricos de forma lúdica e envolvente cria uma dinâmica interativa que permite melhor sensibilização e compreensão destes temas antes tratados pela visão eurocêntrica da História do Brasil sem incluir as demais matrizes formadoras. Pernambuco considera que “ decorre daí um dos motivos que faz os brasileiros terem grande dificuldade em lidar com origens étnicas, com a diversidade de culturas e, sobretudo, de reconhecer e combater o racismo e o machismo institucional existentes no país.”

A aula musicada também se vale de textos e poesias para enfocar a História do Brasil sob um outro prisma, buscando com isto “ desmistificar inverdades e conceituação históricas excludentes postas ainda hoje, nos livros didáticos e repassadas nos bancos escolares para as novas gerações”, justifica Pernambuco. O samba ‘A Lei da Terra’ apresenta outro prisma sobre a questão do povo negro ter sido obrigado a se aglomerar em favelas periféricas nas grandes cidades brasileiras pela expulsão do campo:

“Como viver e prosperar / se a lei negou / ao negro escravo / de comprar / de possuir / mesmo dado em quinhão / qualquer terrinha / um palmo e meio de chão (…) A terra é mãe / berço da prosperidade / a terra é pão / e semente/ é liberdade / lavrando a terra / no passado / do meu dono e senhor / lhe dei fortuna / recebi dele / rancor / lavrando a terra / no passado / do meu dono e senhor / Lhe dei fortuna / Recebi dele / rancor”.

Ao término da apresentação da aula musicada, os alunos têm a oportunidade de questionar e debater sobre as verdades ocultadas por tanto tempo e finalmente cantadas. Pelo conteúdo dos sambas, os questionamentos não devem ser poucos.

Foto: Trensurb
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