“A Arte dos Pajés”

Foto do último encontro entre Raoni e Orlando Villas Certo dia o indigenista brasileiro Orlando Villas Bôas ficou surpreso ao conversar com um pajé do rio Xingu, o mais versado, ali, nos conhecimentos que vão além do saber comum. Ele conta o fato em seu livro “A Arte dos Pajés”. Um pajé de meia-idade, Arru, chegou do mato cansado de caminhar e sentou-se ao lado de Orlando. “Lá é o céu”, diz Arru, apontando para o alto. “Sei”, responde Orlando. “Lá é a aldeia dos que morrem”. “Sei”, diz Orlando, conhecedor da cultura indígena. Depois de um momento em silêncio, … Continuar lendo “A Arte dos Pajés”

Morte por agrotóxicos é grave problema de saúde pública, diz Fiocruz

Dados do Ministério da Saúde (MS) mostram um grave problema de saúde pública: a falta de registro sobre as mortes por intoxicação provocadas por agrotóxicos. 1 de fevereiro de 2016 13h03 Por Graça Portela e Raíza Tourinho Do Brasil de Fato  Rosany Bochner coordena o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) e é pesquisadora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnologia em Saúde (Icict). Ela analisou dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e constatou que há subnotificação e notificações irregulares sobre mortes provocadas por agrotóxicos. O próprio Ministério da Saúde estima que a subnotificação faz com que, para cada … Continuar lendo Morte por agrotóxicos é grave problema de saúde pública, diz Fiocruz

Indígenas, os involuntários da pátria

Eduardo Viveiros de Castro Hoje os que se acham donos do Brasil — e que o são, em ultimíssima análise, porque os deixamos se acharem, e daí a o serem foi um pulo (uma carta régia, um tiro, um libambo, uma PEC) — preparam sua ofensiva final contra os índios. Há uma guerra em curso contra os povos índios do Brasil, apoiada abertamente por um Estado que teria (que tem) por obrigação constitucional proteger os índios e outras populações tradicionais, e que seria (que é) sua garantia jurídica última contra a ofensiva movida pelos tais donos do Brasil, a saber, … Continuar lendo Indígenas, os involuntários da pátria

A noção de progresso do povo indígena

Kaká Werá Jecupé A noção de progresso do povo indígena, especialmente do povo tupi-guarani consiste em respeitar o princípio de que as coisas existem para serem transformadas e recriadas pelo homem.Este é o nosso dom, o dom de criar. E essas coisas criadas podem ser trocadas.Esse é um fundamento para que o nosso dom de criar continue manifestando-se. Os outros fundamentos dizem o seguinte: quatro coisas não podem ser trocadas nem vendidas: o sol, o ar,a terra e a água. Progresso, para nós, é que cada um possa desenvolver sua capacidade criativa, sua expressão no mundo. Isso se manifesta na … Continuar lendo A noção de progresso do povo indígena

A Canção dos Homens

Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a “canção da criança. Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe cantam sua canção. Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta. Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção. Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, … Continuar lendo A Canção dos Homens

Procusto e as cegueiras do conhecimento

André Rodrigues, historiador, coordenador do curso de licenciatura em História da UNIBAN/ANHANGUERA e editor do blog História em Perspectiva. Procusto, segundo a mitologia dos gregos antigos, era um malfeitor que morava numa floresta na região de Elêusis (península da Ática, Grécia). Ele tinha mandado fazer uma cama que tinha exatamente as medidas do seu próprio corpo, nem um milímetro a menos. Quando capturava uma pessoa na estrada, Procusto amarrava-a naquela cama. Se a pessoa fosse maior do que a cama, ele simplesmente cortava fora o que sobrava. Se fosse menor, ele a espichava e esticava até caber naquela medida. A … Continuar lendo Procusto e as cegueiras do conhecimento