Indígena não fala só Tupi

Só no Pará, são 34 línguas ancestrais. Ao decretar 2022 como o primeiro ano da Década das Línguas Indígenas, a Unesco quer tirar da invisibilidade uma enorme diversidade linguística

Por Liana Melo | ODS 16 • Publicada em 22 de fevereiro de 2022 – 10:01 • Atualizada em 4 de março de 2022 – 12:38

O Brasil é um país de muitas línguas. O Pará, por exemplo, é o coração Tupi da América do Sul. Das 34 línguas indígenas faladas no estado, 18 delas são do tronco Tupi. É um mosaico linguístico tão rico e plural, que derruba por terra o mito do monolinguismo no Brasil. Ainda que o português seja a língua hegemônica, em solo brasileiro se fala cerca de 180 línguas indígenas, das quais muitas delas correm o risco de extinção. O Censo do IBGE, de 2010, por exemplo, constatou que 75% das línguas são faladas por povos indígenas de até 100 pessoas. Em Roraima, existem três a quatro línguas que são faladas por apenas quatro pessoas, ou seja, são línguas de alto risco de extinção. Ao decretar 2022 como o primeiro ano da Década Internacional das Línguas Indígenas, a Unesco dá um passo importante para tirar da invisibilidade essa enorme diversidade linguística e valorizar um patrimônio linguístico cultural mundial.

Mapeamento das línguas indígenas do Pará. Arte de Fernando Alvarus
Mapeamento das línguas indígenas do Pará (Arte: Fernando Alvarus)

O Brasil está entre os dez países mais multilíngues do mundo. Só que, ao mesmo tempo, é um dos países que tem a maior população monolíngue do planeta, chama a atenção o antropólogo Marcus Vinícius Garcia, da Divisão Técnica de Diversidade Linguística do Departamento do Patrimônio Imaterial, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Por considerar que a  diversidade linguística encontra-se ameaçada no país, a Década das Línguas Indígenas, defende, será fundamental para o Brasil: “Os indígenas e as línguas indígenas vivem um drama histórico, porque a sociedade brasileira dificultou a cidadania cultural desses povos originários”, afirma Garcia.

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“A língua é um processo político”, defende a professora Ivânia dos Santos Neves, que, à frente do Grupo de Estudos Mediações, Discurso e Sociedades Amazônicas (Gedai), da Universidade do Pará, coordenou a pesquisa “Retratos do contemporâneo: as línguas indígenas na Amazônia paraense”.

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