17 de dezembro: Dia do Bioma Pampa

Dia do Bioma Pampa: é urgente um diálogo em prol do desenvolvimento sustentável do Rio Grande do Sul

O Pampa ocupa apenas 2% do território brasileiro, mas nele é possível gerar e aplicar políticas de desenvolvimento sustentável, conciliando a atividade pastoril de produção pecuária com a conservação da biodiversidade e de importantes serviços ecossistêmicos.

O dia 17 de Dezembro é o Dia Nacional do Bioma Pampa – um momento oportuno para destacar a sua rica biodiversidade e a importância dos benefícios providos pelos seus ecossistemas naturais para as populações humanas, bem como para alertar sobre os riscos de desaparecimento dos campos em várias regiões do Bioma Pampa e as consequências da perda destes ecossistemas para a sociedade gaúcha.

O Pampa é conhecido pelas paisagens abertas, suavemente onduladas. Onde os campos são conservados ainda se observa um carpete dominado por gramíneas até o horizonte. Mas o Pampa é muito mais: há uma grande diversidade de paisagens, várias com alto valor cênico e potencial turístico como as Guaritas (Caçapava do Sul), a Serra do Caverá ou o banhado do Taim. Onipresente é o gado bovino e ovino, que formou por muito tempo a base econômica de toda a região. Quando bem manejada, a pecuária no campo nativo é economicamente atrativa, e permite a manutenção de uma biodiversidade comparável àquela das florestas tropicais. No Pampa ocorrem 3500 espécies de plantas vasculares, e destas mais de 2000 espécies somente na vegetação campestre, muitas com elevado valor forrageiro. Em amostragens dos campos nativos do Pampa realizadas por pesquisadores da UFRGS foram encontradas 56 espécies de plantas em um único metro quadrado, um número ‘recorde’ para o bioma. Essa biodiversidade de plantas constitui a base para a produção de carne de alta qualidade no campo nativo e serve de habitat e alimento para muitas espécies da fauna associada. Além disso, os ecossistemas nativos do bioma Pampa também contribuem para a manutenção dos ciclos hidrológicos, a sua cobertura vegetal reduz a erosão do solo, as flores são recurso para polinizadores de importância também para os sistemas agrícolas, e os solos armazenam carbono de forma douradora. Há, portanto, muito a comemorar, pois o Pampa é um bioma rico e singular.

Entretanto, entre os biomas brasileiros, o Pampa é aquele com a menor percentagem de áreas protegidas e, sobretudo, seus campos vêm sofrendo uma rápida conversão para lavouras, pastagens cultivadas e silvicultura. Pesquisadores do Instituto de Biociências da UFRGS têm participado no projeto MapBiomas, uma iniciativa, apoiada pela Google, para inovar o uso de informações obtidas por sensoriamento remoto (imagens de satélite) para a gestão dos nossos ambientes, permitindo obter, anualmente, mapas do atual uso da terra, de forma rápida e com baixo custo. Com base nesses dados, verifica-se que no período de 1985 a 2017 houve um perda de 21% da área de campo nativo no bioma Pampa

No Brasil, por muito tempo, os ecossistemas nativos não-florestais ficaram de fora da discussão sobre a conservação da biodiversidade, e assim ecossistemas campestres como
os do Pampa também foram negligenciados. Até hoje existe um viés no senso comum e nas políticas públicas, priorizando ecossistemas florestais. A falta de políticas específicas que visem à compatibilização das atividades econômicas com a permanência da cobertura original do Pampa, prioritariamente com base na atividade pastoril de produção pecuária, põe em risco o alcance de metas internacionais, tais como as Metas da Biodiversidade 2020 – assinados pelo Brasil – e os compromissos com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 2030. Além disso, são ainda escassas as experiências de recuperação de campos nativos degradados no Pampa. Tudo isso ameaça a conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, com riscos para a qualidade de vida no bioma. Mas existem iniciativas promissoras, tais como a recente atualização das áreas prioritárias para a diversidade biológica no bioma cujos resultados agora precisam subsidiar as políticas públicas.

No dia do Bioma Pampa em 2018, a UFRGS, por meio do Instituto de Biociências, convida para o evento “Um pacto para o Pampa”, organizado por docentes e pesquisadores da Universidade. O evento foi desenhado para iniciar, a partir da apresentação e discussão de dados recentes, um diálogo propositivo entre diversas instituições que atuam no Pampa, com o objetivo de definir ações prioritárias e ajudar na construção das politicas públicas que possibilitarão a conservação e o desenvolvimento de atividades econômicas compatíveis e ecologicamente sustentáveis no bioma.

Contato: Instituto de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, E-mail: biociencias@ufrgs.br, fone: 55-51 3308 7562

Programação do evento “Um pacto para o Pampa”, no dia do bioma Pampa, 17/12/2018:

15h00 Abertura: A contribuição das universidades para o estado
Prof. Dr. Luís da Cunha Lamb, Pró-Reitor de Pesquisa da UFRGS
15h15 As novas áreas prioritárias para a biodiversidade no bioma Pampa
Dr. Eduardo Vélez, Rede Campos Sulinos, UFRGS
15h30 Mudanças no uso da terra no bioma Pampa: o projeto MAPBIOMAS
Prof. Dr. Heinrich Hasenack, Departamento de Ecologia, UFRGS
15h45 Produção pecuária nos campos nativos do bioma Pampa
Prof. Dr. Carlos Nabinger, Faculdade de Agronomia, UFRGS
16h00 Restauração dos campos do Pampa: desafios e oportunidades
Prof. Dr. Gerhard Overbeck, Departamento de Botânica, UFRGS
16h15 Debate
17h00 Encaminhamentos e encerramento

Local: Centro Cultural da UFRGS, Sala Jacarandá
Rua Eng. Luiz Englert 333, Porto Alegre, RS (Campus Centro de UFRGS)

Rede Campos Sulinos

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