Pigmentocracia contra as Culturas Populares

As culturas populares são uma das maiores expressões da identidade e diversidade de toda nação que  pretenda fazer jus ao nome.

O Brasil será uma nação na medida em que seu povo obtiver o lugar que lhe é devido no território nacional.

Infelizmente, apesar de algumas concessões da parte da “elite branca” que domina o país,  a qual o antropólogo da UnB, José Jorge de Carvalho,  denomina de “pigmentocracia”, ainda persiste o racismo institucional como se pode constatar no corte de verbas para o carnaval, em muitas cidades brasileiras.

Essa noção de “pigmentocracia”, (às avessas, pois é de quem menos melanina apresenta) é muito operativa para se entender as desigualdades e injustiças que fazem do Brasil um dos países em que o abismo social entre os  ricos e os pobres se aprofunda ao invés de diminuir.

Se Jessé Sousa alerta em seus livros que a dita elite branca brasileira faz de imbecil a classe média, o que dizer dos pobres que são submetidos ao extermínio, especialmete os negros, indígenas e campesinos.

Historicamente, as culturas populares brasileiras sempre foram reprimidas pelo estado e pela igreja.

Capoeiristas eram perseguidos pela polícia, violeiros eram presos por vagabundagem e as Folias-de-Reis não eram permitidas pelos padres.

O Boi maranhense ainda guarda a memória de que seus brincantes eram impedidos de festejarem no centro e nos espaços nobres da cidade de São Luís.

Ainda hoje, manifestações populares são reprimidas, a exemplo do funk, por associação com a violência urbana.

A ironia da História é de que a capoeira, o samba, o Bumba-Meu-Boi, entre tantas outras expressões populares tornaram-se referências brasileiras no exterior sendo atualmente uma das maiores fontes de divisas através do turismo.

Em que pese sua espetacularizaçãoe canibalização, as culturas populares são um efetivo exemplo de resistência  mantendo vivo o tecido social e o espaço territorial em que se fazem presentes.

Sabemos que o momento político  é de grave ameaça aos povos tradicionais e por isso a valorização das culturas populares é de importância estratégica para se manter a integridade da nação brasileira.

Cabe a nós, brasileiros conscientes, esta árdua tarefa.

Eduardo Sejanes Cezimbra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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