Breve reflexão sobre “Nossos Carnavais”

Eduardo Sejanes Cezimbra

Boaventura de Sousa Santos em sua obra seminal “A Gramática do Tempo: para uma nova cultura política” nos lembra do “drama milenar da expansão ocidental em três atos”:

1) Cruzadas

2) Expansão européia

3) Século Americano-Europeu

A América do Sul passa por este terceiro ato de maneira cíclica pois “Nuestra América” está nas entranhas do monstro: “é preciso ir saindo do Norte” , aconselha Martí para uma reinvençao da emancipação.

Oswald de Andrade, do seu “Manifesto Antropófago” também citado por Boaventura como referência para essa reinvenção da emancipação escreve sobre o nosso modo de ser e pensar: Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós […] Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso? […] Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.”

Mariátegui é peruano e elaborou um novo pensamento emancipatório para a América Latina, muito inspirado em Martí e Nuestra América, escreve sobre o carnaval nos anos 20 que por transformar o burguês em guarda-roupa era verdadeiramente revolucionário por constituir uma impiedosa paródia do poder e do passado.

Concluo essa brevíssima reflexão sobre o carnaval e seu caráter contestador e de resistência à colonização cultural com a citação por Boaventura recorrendo novamente a Oswald de Andrade: “A alegria é a prova dos nove”.

Foto: fantasia da Imperatriz Leopoldinense para o enredo de 2017 “Xingu: o clamor  que vem da floresta”

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