O crescimento do PIB é parte do problema ambiental e social

Crescimento econômico foi bom ou não foi bom para a sociedade? Os seus
resultados são ou não são efêmeros? A melhor medição do resultado do
crescimento econômico é o PIB (que inclui o IDH e o PIB per capita) ou outra
estatística? Algumas dimensões do crescimento econômico – talvez as mais
importantes – não estão sendo propositalmente ignoradas apenas para
alimentar essa idéia? Nesse momento de crise ambiental planetária e também
social, o crescimento do PIB é a solução ou parte do problema? Sempre foi
parte do problema e só agora foi possível perceber ou é uma faceta nova?

Por que ninguém se levanta contra essa idéia do crescimento do PIB como panaceia
social e ambiental? Não seria quase uma crença infantil a nossa crença nas
conquistas tecnológicas como salvação ambiental?

Essas perguntas precisam ser respondidas claramente. O maior desafio da
economia ecológica não é o determinista ou o fim da vida na Terra se
continuarmos com o crescimento do PIB. O maior desafio da economia ecológica
é a justificativa social do crescimento do PIB que é usada como linha de
frente por todos os organismos nacionais e internacionais à nossa volta,
como FMI, Banco Mundial, OCDE, bancos centrais, ministros de finanças e
governos de uma forma geral, além é claro de a única programação das
empresas e a única medida do seu sucesso, não só das economias, é a sua
expansão contínua de lucros. Não é só fisicamente impossível, mas
matematicamente surreal, porque se quiséssemos dobrar o tamanho da economia
global em 1900, adicionaríamos um Sri Lanka ao planeta em atividades
econômicas; se quisermos dobrar a economia do planeta hoje, adicionaríamos
quatro Estados Unidos.

Se a impossibilidade física e matemática não abate essa idéia do crescimento
do PIB e ela sobrevive a essas fortes evidências, a razão de sua sobrevida –
apesar de tantos descalabros à nossa volta – é seu aspecto ideológico
pretensamente fundamentado por modelos de papel e lápis e estatísticas que
são claramente produzidas por quem defende essa idéia. Tem tantos exemplos
do quão absurdo é tudo isso, não posso esquecer a Janet Yellen tentando
explicar à senadora o que o FED poderia fazer após quase 10 anos de toda
expansão da renda pós-Grande Recessão ter se concentrado nas mãos do 1% mais
rico da população. Ou John Mauldin mandando um texto baseado num estudo que
mostra que a taxa de desemprego dos EUA, se tivesse mantido a regra de
contagem dos desempregados da época do Ronald Reagan, seria 5% mais alta…
Ou o ajuste fiscal do Bill Clinton, do qual 1/3 do déficit desapareceu
apenas com uma manobra contábil. As estatísticas, só para começar, tem
existência ideológica e política, ou são um reflexo verdadeiro da realidade?
E o PIB que Simon Kusnetz foi citado num artigo do Financial Times com a
seguinte explicação do dado: “é um lixo, dois setores já deveriam de cara
ser subtraídos do PIB, a indústria das armas e o setor financeiro como um
todo.”

Precisamos de pelo menos seis meses de discussão para resolver essas
questões. Se alguém tiver sugestões de leitura, pró e contra essa idéia,
agradeço. É muito importante questionarmos nossa crença sempre partindo do
princípio “e se eu estiver errado?” No lugar do “eu” leia-se o conhecimento
coletivo adquirido (o eu inexiste aqui, ambora alguns acreditem nisso, vale
lembrar). Isso é importante, porque Prêmios Nobel paralelo da Economia, de
2000 a 2006, antes da maior derrocada econômica e financeira global em 70
anos, declararam com toda pompa em simpósios pagos que a macroeconomia havia
encontrado a solução de todos os problemas e que a assim chamada Grande
Moderação colocou um fim nos ciclos econômicos e nas crises. Robert Lucas e
Ben Bernanke diziam isso. O mais interessante da economia não é ignorar
nossos erros das análises e revertê-los; é mantê-los ou fingir que não
existiram. Esses homens que falaram tanta besteira no período que atingiu a
economia global com uma crise financeira sem solução à vista, continuam
sendo ouvidos. Os economistas são “cassandras às avessas”. A Cassandra foi
amaldiçoada por poder prever o futuro, mas ninguém acreditaria nela. Os
economistas são amaldiçoados por NÃO poderem prever o futuro e todos
acreditarem neles (acreditam, especificamente alguns, porque é essa crença
que alimenta a continuidade do seu poder sobre as pessoas e as riquezas).

Tudo isso mostra que essa pseudociência está repleta de erros: deveríamos
estar atentos ao processo, aos resultados, a relações de causalidade,
lembrar que o futuro não pode ser previsto, apenas ser criado, como disse
certa vez Erwin Laszlos. E com idéias erradas nós estamos hoje criando o
PIOR futuro possível para a humanidade. Se alguém ainda não se deu conta
disso, está na hora de começar a aprofundar seu conhecimento sobre as
hecatombes ambientais, climáticas, ecossistêmicas à nossa volta. A mídia
nem está mais conseguindo esconder esses resultados, apesar que em terras
sem lei, como Amazônia e Cerrado, ou outros países mais a margem, escondem e
bem o que está acontecendo.

Hugo Penteado

Decrescimento

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