A contradição social entre o Plano Piloto e as cidades- satélites de Brasília-DF

O Plano Piloto de Brasília com seu formato de cruz ou de avião é cruzado por largas vias expressas para automóveis em toda sua extensão, culminando com suas contruções monumentais como a Catedral de Brasília (católica), Museu da República, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes com seus respectivos palácios.

Uma cidade moderna de acordo com que propunham arquitetos como Le Corbusier , sem ruas estreitas e calçadas, substituídas pelas vias expressas sem lugar para pedestres ou ciclistas, dificultando ao máximo o acesso para quem não possuía automóvel. Os moradores sem carros particulares  utilizam-se de ônibus que circulam em torno da rodoviária ligando o Plano Piloto com as cidades-satélites entre as quais as primeiras erguidas Taguatinga, Núcleo Bandeirante, Sobradinho e Planaltina ficam distantes  cerca de 25 quilômetros ou mais.

São notáveis as disparidades entre o Plano Piloto e as suas cidades-satélites em termos de renda per capita e acesso a serviços sociais e infra-estrutura.

No entanto o Plano Piloto não existiria por si mesmo sem as cidades-satélites, isso é, sem sua população pobre que presta os serviços indispensáveis para seu funcionamento e manutenção.

Contraditoriamente, Brasília inicialmente foi pensada sem as cidades-satélites.

Em entrevista ao jornal  Estado de São Paulo de 27/02/82, o urbanista Lúcio Costa  conta que “Israel Pinheiro e Juscelino Kubitschek disseram que se tratava de uma cidade de burocratas”.

“(Brasília seria)… um marco nacional permanente, algo assemelhável, nestes termos, do Hino ou à Bandeira… Esta seria sua principal função: representar o país para si-mesmo, em troca seria por ele sustentada.”, afirmou um estudo do governo de Brasília  desaconselhando  a hipotética instalação de indústrias na cidade.

A inevitável conclusão da época era que as cidades-satélites só existiam devido ao plano de manter longe do Plano Piloto as populações de trabalhadores que construíram e hoje mantém Brasília.

Eduardo Sejanes Cezimbra

  • Escrito a partir de artigo “Construção do espaço e dominação – Considerações sobre Brasília” de José William Vesentinini,  professor do Departamento de Geografia da FFLCH da USP para a revista Teoria e Política, 1985.
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