A origem das doenças na visão de pesquisadores da homeopatia

MIASMAS SEGUNDO A FILOSOFIA HOMEOPÁTICA DE KENT: UMA ATUALIZAÇÃO
 
” Talvez o grande “pecado” de Hahnemann tenha sido o de haver nascido e exposto suas idéias há quase dois séculos, antes que o mundo estivesse preparado para apoiá-las e dar-lhes o devido respaldo científico”. José Laércio do Egito
A doutrina homeopática de Kent aprofunda a concepção da teoria miasmática de Hahnemann, partindo da psora descrita no § 78: “As verdadeirasenfermidades crônicas naturais são as que se originam de um miasma crônico…” . Muito influenciado pelo clarividente sueco Swendenborg e seus seguidores, Kent relaciona a psora como “pecado original”, sendo por isso acusado de místico pelos homeopatas organicistas franceses e pelos seguidores de Dudgeon e Hughes na Inglaterra, que o acusam pela marginalização da homeopatia no meio médico auto-denominado científico. Ora, a objeção levantada por Kent quando questiona a Psora como sinônimo de sarna causada ” por um pequeníssimo ser que se supõe que tem vida” antecipa-se a afirmação de Pasteur de que “o micróbio não é nada, o meio é tudo”. Outro aspecto relevante na visão miasmática de Kent é o entendimento da dinâmica miasmática como a progressão de atos equivocados da raça humana:“daqui se entende que este estado, o estado da mente humana e do corpo humano é um estado de suscetibilidade as enfermidades que provém de desejar o mal, de pensar no que é falso e de fazer da vida uma herança contínua de coisas falsas e, assim, esta forma de enfermidade, Psora, não é senão a manifestação exterior do que é anterior no homem… A raça humana que anda hoje sobre a face da terra é pouco melhor que uma lepra moral. Tal  é o estado da mente humana hoje em dia.”. Outro terapeuta do nosso século,Wilhelm Reich, consciente desta quase lepra moral denominou-a de forma surpreendentemente similar de “peste emocional”: ” O termo ‘peste emocional’ não é uma classificação depreciativa. Não implica malevolência consciente, degeneração moral ou biológica, imoralidade, etc…Do mesmo modo, um homem atravessa a vida com as muletas da peste emocional quando as expressões naturais e auto-reguladoras da vida são suprimidas  desde o nascimento.
A pessoa doente com a peste emocional coxeia no que diz respeito ao caráter.
A peste emocional está ligada mais intimamente ao caráter neurótico do que a uma doença cardíaca orgânica, por exemplo, mas pode, a longo prazo, levar ao cancro ou à doença cardíaca.
Kent demonstra em seu livro uma grande capacidade médica, acima do comum, de acompanhar o curso da dinâmica miasmática, sendo capaz, através da anamnese, de detectar o estágio em que se encontra o doente após sucessivos tratamentos alopáticos supressivos : ” E, agora, temos diante de nós, como médicos os grandes miasmas, para tratá-los em todas as suas complicações….Quanto tempo pode seguir isto antes que a raça humana seja extinguida da terra pelos resultados da supressão da psora? Desta supressão temos afecções cancerosas, enfermidades orgânicas do coração e pulmões,tísica e destruição geral do corpo.”. Preocupado em curar seus doentes não se ocupou de elaborar uma teorização mais aprofundada sobre os miasmas. Ensinou, ao invés, um método empírico de diagnosticar e tratar o miasma presente, baseando-se nos princípios homeopáticos, e nos medicamentos da Matéria Médica Pura experimentados no homem sadio : “Todos os medicamentos que são capazes de produzir o quadro da sicose, podem chamar-se anti-sicóticos, mas também podemos expressar-nos de outra maneira e dizer que todos os medicamentos são anti-sicóticos, quando administrados a um caso sicótico inverter a enfermidade e reproduzir as formas anteriores, fazendo que reapareça o fluxo. Esta é a maneira prática de demostrar que um remédio é anti-sicótico.”Esta lacuna teórica (vamos chamá-la assim) é confessada, inclusive no notável estudo de José Laércio do Egito: “Em suma, sabe-se perfeitamente que miasma é uma condição que se manifesta num indivíduo e que propicia o aparecimento de uma série de estados considerados doenças com várias denominações. Para explicar o que realmente é, os homeopatas ainda não chegaram a um consenso em decorrência de algumas condições peculiares que se apresentam num estado miasmático, e que contravêm em aparência, às leis da hereditariedade clássica. Apoiando-se nos ombros destes gigantes –Hahnemann e Kent- outro autor , o homeopata e psicoterapeuta junguiano Edward C. Whitmont, ousa ir além e busca definir  o que seja miasma, partindo da experimentação de um nosódio, neste caso, Syphilinum, demonstrando de forma clara que a doutrina hahnemanianna está em movimento -como tudo que é vital evolui : ” Segundo Hahnemann, a origem de todos os distúrbios crônicos reside em três ” miasmas”: psora, sicose e sífilis. Segundo o dicionário, miasmas são ” emanações nocivas de natureza imponderável.”…No momento presente, entidades deste tipo parecem vagas demais e não-científicas…Em suas experimentações com sujeitos saudáveis, Syphilinum produz sintomas que podem ser classificados em dois grupos . O primeiro (A) tem uma semelhança inquestionável com os sintomas da sífilis clínica, em seus vários estágios (úlceras de cancro, erupções de cor de cobre, dores noturnas nos ossos, cefalalgia, etc.). No segundo grupo (B), de sintomas típicos de Syphilinum (medo da noite, perda de memória, predileção por álcool, ozena, úlceras nas amígdalas, etc.), não podemos ainda constatar quaisquer evidências convincentes de sífilis clínica…Ao definirmos a esfera do miasma sifílitico em termos dos sintomas do nosódio e de medicamentos afins, percebemos que aquilo que costumávamos chamar de sífilis, em sentido clínico, não passa de uma pequena parte da totalidade de sua esfera miasmática. Frequentemente encontramos sintomas miasmáticos em pacientes sem sífilis clínica, mas nunca encontramos sífilis clínica sem sintomas miasmáticos …Enfim, o que são miasmas? Tendo em vista sua analogia com os efeitos do medicamento potencializado e sua capacidade de serem incorporados (note-se que o efeito do medicamento pode ser incorporado também por substâncias não-vivas, como vidro, cortiça e grânulos de açúcar), podemos considerar que são campos estruturais ou arquetípicos de energia, que são vórtices de energia. São capazes de desestruturar a atividade vital mas, de um modo ou de outro, devem necessariamente ser também fatores que promovem integralmente a vida e a conscientização da constituição humana.” Naturalmente, não é propósito deste trabalho esgotar o tema levantado por Whitmont, mas ainda há espaço para citar a contribuição de John Davidson, que corrobora a hipótese daquele: ” Os miasmas são essencialmente uma desarmonia, um padrão ou um desequilíbrio de energias…
Muitos médicos acrescentariam que a doença só pode tomar conta de quem tenha propensão a ela – uma vibração no organismo, com a qual a natureza negativa da doença possa ressoar; em outras palavras, um miasma. Esse padrão vibracional da doença ou mal-estar ocorre em todos os níveis.
Um pensamento ou idéia negativos que nos venham de fora não poderão nos afetar se não encontrarem algum ponto – maior ou menor- em que ressoar.
Nem mesmo uma doença,ainda que epidêmica, nos afetará, a menos que haja uma semente vibracional dentro de nós, por onde ela possa entrar através de uma ressonância simpática.
Vemos, assim, que a doutrina kentiana continua atual e sua confirmação se dá com o que há de mais recente em termos de equipamentos de diagnóstico como a Ressonância Magnética Nuclear, Raios Raman-Laser,Eletroacupuntura de Voll, entre outros.Mais que isso cumpre ressaltar que a lição de Kent para todos os homeopatas e demais terapeutas é que devemos buscar a Medicina Antropológica, da Espécie: “Há que procurar dominar isto:
NÃO DEVEMOS CONSIDERARAS ENFERMIDADES POR UNS POUCOS SINTOMAS QUE OS PACIENTES POSSAM TER, MAS POR TODOS OS SINTOMAS QUE APRESENTE A RAÇA HUMANA INTEIRA.
Finalizando, é oportuno o pensamento de Paul Brunton, inspirado filósofo espiritualista:
“Procuramos cura para nossas dores e mágoas, para nossas asmas e reumatismos. Entretanto, para os desejos febris e para  inúteis ambições, não procuramos cura.”
Eduardo Sejanes Cezimbra, C.D. Homeopata
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Um comentário sobre “A origem das doenças na visão de pesquisadores da homeopatia

  1. Muito oportuna esta matéria que expõe causas ocultas de males combatidos quase que somente nos sintomas. As causas comportamentais e espirituais ainda são pouco experimentadas. A indústria química dos fármacos e dos agroquímicos obtém lucros exorbitantes com a adoção dos agrotóxicos e dos remédios. Não vai por enquanto se interessar por tratamentos não químicos.

    Cabe sempre a grupos de médicos, terapeutas e as pequenas indústrias buscar outros caminhos, que envolvem a ideia holística, do corpo-mente-espírito como alvo dos tratamentos de enfermidades.

    Muito bom artigo.

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