O desafio de descolonizar a educação

A educação passa por  momentos de transição. Ao mesmo tempo em que se acessa  recursos da tecnologia da informação, também existe uma modelagem mental e emocional que  leva a reproduzir um modelo de escola vem lá da Idade Média.

Mas se quisermos mesmo um outro modo de vida, precisaremos investir muito em estudo, pesquisa e novas tecnologias. Isto não significa estar nas universidades.

A proposta é  estabelecer redes de saberes. Ora, quem vem para um Fórum Social Mundial em geral já tem uma experiência maravilhosa em seu local de atuação. O que a pessoa vem buscar é o estabelecimento desta rede, para que isso não fique somente na eventualidade de um encontro. Um exemplo: quando você convida alguém para um mutirão de bioconstrução na comunidade Morada da Paz, em Triunfo-RS, e cobra vinte reais de ajuda para a comunidade, isso é bem diferente de cobrar dois mil reais em um curso. Numa outra ocasião, vamos lembrar das pessoas que estavam nesses eventos e convidá-las para transmitir seu conhecimento.

O sociólogo Boaventura de Souza Santos  veio a Porto Alegre para organizar a proposta da Universidade dos Movimentos Populares. No Jardim Botânico da capital gaúcha, temos a Rede de Saberes e Cooperação, que é uma parceira potencial desta universidade. Isso é bem diferente daquela mentalidade escolarizada que pergunta: `Quando vão começar as aulas? Vai ter diploma? Vai ter a chamada, o trabalhinho final, para terminar o curso e receber o certificado`?

É importante que essa universidade não tenha doutores nem mestres.

Isso é uma condição, porque é importante que as pessoas da comunidade ensinem o que elas fazem bem.

Nestas questões, temos que descolonizar a cultura. Esta é uma proposta do Dan Baron, um arteducador que vive no Brasil e trabalha com pedagogia popular. Todo nosso modelo é baseado nas universidades europeias. A etimologia da palavra “acadêmico” nos diz que aca significa afastado, demos significa povo. Uma dificuldade, ainda hoje, é que se o professor  ou o aluno  propuser algo novo, poderá ser discriminado, ou considerado alguém que `quer inventar moda`.

Enquanto ainda houver este rótulo napessoas que estão dispostas a mudar, haverá impedimentos a esta nova forma de ser.

Novamente, vamos voltar à questão da importância de ter estas redes de apoio. Destas redes surgem uma maneira de ser e estar no mundo.  Isto é tribal, é anterior à polis e à política: “é necessário toda uma aldeia para educar uma criança”.

Eduardo Sejanes Cezimbra, ambientalista

Foto: II Rede de Saberes e Cooperação, Jardim Botânico de Porto Alegre

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