Este biólogo está criando ‘florestas de bolso’ em São Paulo

  • Kaluan Bernardo 02 Mar 2016

Ricardo Cardim pesquisa espécies nativas da Mata Atlântica para recriar, em pequenos espaços, a vegetação original

Foto: Ricardo Cardim/Arquivo pessoal

Ricardo Cardim em floresta de bolso recém-plantada

Em apenas seis meses é possível ter uma floresta em um terreno de 15 m². Pelo menos é o que garante Ricardo Cardim, mestre em biologia botânica, que desenvolveu uma metodologia chamada “Floresta de Bolso”.  “O método vale para terrenos pequenos, em uma pracinha, bem como para fazendas com dezenas de alqueires”, explica Cardim ao Nexo.

O biólogo parte do princípio que espécies de mata nativa se desenvolvem melhor do que as exóticas – por isso são mais propensas a criar uma pequena floresta em ambientes diferentes.

Em São Paulo, onde Cardim atua, a vegetação original é a Mata Atlântica. Esse tipo de floresta se regenera naturalmente e rapidamente. Segundo Cardim, ao plantar as árvores que pertenciam naturalmente a determinado local, a floresta cresce com mais facilidade. O terreno fica sombreado e outras espécies danosas, como o capim, não crescem.

Foto: Ricardo Cardim/Arquivo Pessoal

Ricardo Cardim em árvore de bolso sete meses após ter plantado

Ricardo Cardim em floresta de bolso sete meses após ter plantado

“É algo diferente dos reflorestamentos, onde o plantio é muito ordenado e artificial”, diz.

O biólogo estima que, nas cidades brasileiras, mais de 90% das árvores plantadas vieram de fora. “Elas não existiam naqueles terrenos antes da modificação humana”. É o caso da Ficus elastica, conhecida como falsa seringueira, e da Ficus benjamina, árvores nativas da Ásia que se popularizaram entre as décadas de 1950 e 1970 no mundo todo.

Em seu blog, Cardim diz que a Ficus benjamina é a segunda árvore mais popular de São Paulo. Mas ela é danosa nos meios urbanos, devido à agressividade de suas raízes e ao tamanho desproporcional que ocupam.

Método atrai pássaros e animais nativos

Foto: Ricardo Cardim/Divulgação

Evolução das florestas de bolso

Para fazer uma floresta de bolso, o botânico analisa quais espécies da mata nativa existiam naquela região. Na sequência, percorre quais espécies devem ser plantadas em conjunto para que o ecossistema evolua como uma mata semelhante à original.

“Desenvolvi os métodos de análise de espécies e de plantio com base na percepção de como funciona a dinâmica de uma floresta nativa tropical”, diz. Ele, que trabalha dando consultorias sobre o assunto desde 2012, explica que pode combinar até 40 espécies diferentes de plantas.

No entanto, cada local tem uma especificidade que precisa ser conhecida por um especialista para que as espécies sejam corretamente combinadas e cresçam de forma homogênea e equilibrada. Ele já chegou a fazer florestas no telhado de seu escritório e até em caçambas de rua.

Foto: Ricardo Cardim/Arquivo pessoal

Floresta de bolso que plantou em uma caçamba no Butantã

As mudas devem vir de viveiros especializados em plantas nativas. Elas costumam ter entre 40 centímetros e 1,5 metro. Quando corretamente plantadas, em seis meses já sombreiam o chão e começam a atraí pássaros e outros animais.

“O interessante desse modelo é que ele exige pouca manutenção”, comenta. As florestas atraem pássaros, animais e ainda purificam o ar na região.

NEXO

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