Influência dos descendentes de escravos africanos na cultura musical do Rio de Janeiro

Histórias que não se ensinam nas escolas

IORUBÁS OU JÊJE-NAGÔS

Por volta de 1870, negros da etnia iorubá (jêje-nagô) chegaram ao Rio de Janeiro, de navio. Instalaram- se na própria Zona do Porto e nas proximidades – zona conhecida como Cidade Nova. Eram livres antes da Lei Áurea e se deslocaram de Salvador – onde, com o dinheiro do trabalho como “negros de ganho”, haviam adquirido a liberdade. Livres, na Corte, cerca de 20 anos antes da Abolição, já os coloca em singular superioridade social em relação a outros negros.
Os ‘baianos’ mantinham e cultivavam, da forma mais fiel possível, a religião herdada do ancestral nagô, o candomblé, com seu panteão de orixás.
Esses iorubás (nagôs) moravam no centro da cidade, em casas de aluguel de vários cômodos. Vestiam-se à européia, vivendo de atividades semelhantes às dos portugueses, árabes e judeus: pequenos artesãos, comerciantes, ou membros das novas corporações urbanas, como a Repartição Geral dos Correios e Telégrafos e a Guarda Nacional, da qual foi membro Hilário Jovino, líder do grupo. A famosa Tia Ciata possuía uma empresa com cerca de 10 empregados, dedicada à alimentação e ao vestuário. Seu marido era da Chefatura de Polícia. O pais de João da Bahiana (1887-1974) também possuíam um pequeno comércio.
Esses baianos, iorubás, negros de classe média, livres muito antes da Abolição, criaram os ranchos, cuja música, a marcha-rancho, era tocada com instrumentos de corda e de sopro, que exigiam recursos e anos de estudo.

BANTOS OU ANGOLA-CONGUENSES

No século 19 (1840/50) o café tornou-se o principal produto de exportação do Brasil. Das regiões montanhosas do vale do Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, estendeu-se para São Paulo, na capital oficial do café. A lavoura de café desenvolveu-se com base na grande propriedade de monocultura e na utilização do trabalho escravo, até a proibição do tráfico em 1850, quando os fazendeiros foram obrigados a substituir os escravos pelos trabalhadores livres assalariados – imigrantes europeus que tinham o incentivo do governo para trabalhar nos campos de cultivo. Com o tempo, a atividade foi-se tornando anti-econômica para os latifundiárias e os negros acabaram sendo libertos com a Abolição, em 1888 (expulsos das fazendas, sem qualquer apoio para sobreviver).
Os fluminenses, bantos, negros livres só após 1888, eram considerados “lumpem”, à margem da sociedade, pois desconheciam tudo o que não fosse trabalho rural. Criaram a umbanda, as escolas de samba, o samba versado , depois o samba -enredo, que só utilizavam os instrumentos de percussão dos terreiros do santo, por origem rural e causa econômica (falta de recursos.)

Texto e foto Marilia Trindade Barboza

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