Terapeutas da Terra

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Por Eduardo Sejanes Cezimbra*
“Nossa vida depende de um sopro, o Terapeuta cuida desse sopro que informa o corpo.”
Para ampliar a visão da Saúde, nas suas implicações com  meio ambiente, saúde sistêmica e coletiva é preciso humanizar e ecologizar a Saúde.
Isto implica, sem sombra de dúvida, um grande desafio a todos os que se propõe a trilhar este caminho, representando um profundo mergulho e, ao mesmo tempo, um alto voo na desconstrução dos paradigmas hegemônicos na saúde e na ciência como um todo. Para isso, é importante esclarecer o paradigma dominante e suas alternativas.
O paradigma cartesiano-newtoniano, que norteou a epistemologia (“como se faz ciência”) até agora, e que já demonstra evidentes sinais de crise foi uma reação ao paradigma escolástico-aristotélico da Idade Média.
Demonstrar, esclarecer sem jargões excludentes e limitantes o que isso representa para profissionais, população e instituições no seu comportamento, prioridades e estilo de vida é algo que por si só já é terapêutico.
Por quê? Porque se trata de transformação, de mudança, de crises existenciais, familiares, sociais e ambientais que tendem a não sair do já antiquado modelo, com um efeito regressivo, prisioneiro de um tempo passado.
A humanidade está doente, bem como a medicina e todas as ciências da saúde (da doença, para ser mais honesto). E, portanto, isto não é questão de especialistas, apenas, e sim, de todos. Se trata, portanto , de reapropriação, de socialização, de direitos humanos, e por conseguinte de responsabilidade cósmica, planetária.
Reavivar na memória de todos o sentido e cuidado com o Ser é resgatar o significado do Terapeuta, como inspirada e poeticamente Jean-Yves Leloup descreve: “Quando Fílon diz que o Terapeuta é um filósofo , não se deve ignorar que este continua sendo um díscipulo tanto de Moisés como de Platão.
Esses filósofos, que andam à procura da Inteligência Criadora ( Sophia ) , para amá-la , são também médicos (Iatriké ) ; cuidam dos corpos mas , observa atentamente Fílon , não cuidam apenas do corpo , pois é por isso que merecem o nome de “ Terapeutas “. E esclarece : para o Terapeuta , o corpo não pode ser visto somente como um objeto , uma coisa ou uma máquina funcionando com defeito , que seria mister “ consertar”. Não; o corpo é um corpo “ animado “. Não há corpo sem alma ; um corpo sem alma , não sendo mais “ animado”, não merece o nome de corpo , mas de cadáver. Cuidar do corpo de alguém é prestar atenção ao sopro que o anima . Para os antigos hebreus , a doença e a morte se achavam ligadas a uma “perda” ou a uma falta de ar ( sopro ) . Ressuscitar , fazer alguém voltar à vida , era fazer novamente circular o ar ( sopro ) nos membros da pessoa … Nossa vida depende de um sopro, o Terapeuta cuida desse sopro que informa o corpo.”
Desenvolver nos profissionais de saúde e na população a noção de Terapeuta é colocá-los à altura de novos tempos, em que a crise é prenúncio de um salto de consciência sem precedentes na história da Humanidade. Porque, em função da alta tecnologia se faz urgente desenvolver alta sensibilidade, para equilibrar esta polaridade .
Neste ponto é mister lembrar a todos o que muitas pesquisas nos revelam; cada vez mais, pessoas cansadas das formas impessoais e neutras de tratamento buscam terapias em que seja resgatada o contato humano qualificado, em outras palavras o salto de “paciente” para “agente”, a saída de uma dependência fragilizante e doentia para uma interdependência responsável e sadia.
Muito dessa demanda é fruto de movimentos sociais, que passam desapercebidos da grande mídia, das instituições de ensino e saúde e dos governos, porque se desenvolvem onde se registram as maiores falhas em modelos convencionais de atendimento, tais como saúde da mulher, de grupos étnicos e religiosos, e dos movimentos ecológicos preocupados em obter tecnologias apropriadas, com ênfase na autossustentabilidade.
Quer dizer, neste caso oportunidade adquire um sentido muito maior do que simplesmente ganhos monetários; o estar à altura, anteriormente citado é nos darmos conta – ainda há tempo – de que precisamos, para ontem, sairmos do caminho do dinossauro rumo à extinção, e trilharmos a via do mutante para a Inteireza e Integridade, num modelo de mundo autossustentável e interligado.
No dizer de Albert Einstein : “ O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo que o cerca – uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência, moldado pela cultura. E essa ilusão é uma prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Poderá ser que ninguém consiga atingir plenamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior” .
Portanto, muito mais que buscar novas modalidades de tratamento, numa verdadeira obsessão pela saúde perfeita, como tão oportunamente nos alerta Ivan Illich, podemos isto sim nos recordar que temos dentro de nós um microcosmo que nos possibilita o poder do livre-arbítrio entre a escravidão a preconceitos, dogmas e sistemas de crença limitados e limitantes e a liberdade com abertura, responsabilidade e consciência da unidade na totalidade.
*Eduardo Sejanes Cezimbra é ambientalista, Dentista Homeopata, Hipnólogo e Terapeuta Floral
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