Quem são os PAJÉ?

pajéPAJÉ para os tupi-guarani, PAJÉ são os que melhor conhecem os ciclos das estações, os fluxos dos rios e dos ventos, as vibrações sutis das montanhas e das pedras. PAJÉ é o detentor da sabedoria, aquele que mais sabe sobre a flora e fauna da sua terra, exímio conhecedor dos segredos das raízes, das plantas e das ervas, e o seu poder de cura.

Líder espiritual, benzedor e, ao mesmo tempo, médico da tribo e curandeiro, integralmente relacionado com as comunidades, o PAJÉ e quem cuida do seu povo, quem traz consolo. E, sobretudo, é o amigo.

PAJÉ é o eterno itinerante que se move com desenvoltura no imenso mar de matas que outrora cobria o continente do sul abaixo do altiplano, desde acima da rede fluvial do Amazonas até o delta formado pela confluência dos três grandes rios que desembocam na bacia do Prata.

Sempre bem-vindo em todos os povoados, o PAJÉ é quem melhor conhece a rica mitologia das matas. Contador incomparável de histórias, cativa a imaginação de todos os povoados.

PAJÉ é o sonhador. Escutar sonhos – orehuera rohendu – e decifrá-los, é tarefa primordial sua. É a narração poética dos seus sonhos que o convertem em PAJÉ verdadeiro, pois no universo guarani, o sonho gera conhecimento e detona a ação.

PAJÉ é aquele que atende ao chamado que chega inesperado e, incompreensivelmente, permanece. Sua sabedoria serena abre um portal para o outro reino, longínquo e tão próximo que roça os sonhos dos habitantes desse âmbito ancestral que inspira todos os seus caminhos.

PAJÉ é o “Senhor das Palavras”, de eloqüência notória, cuja voz ressoa sonora, acima da dos outros cantores, ao dirigir os rituais. Dotado de inspiração – arandu – o PAJÉ é o poeta. Poeta das ñe’engatu, das “belas palavras” do linguajar tupi-guarani mais requintado, da fala do sagrado.

livro pajéBaseado no texto de Yara Miowa, do livro PAJÉ. Editora: GRYPHUS

Esse livro conta a história de Tatatiwaretê, pajé dos Mbyá-Guarani, que percorreram o peabiru desde o Paraguai até o Espírito Santo, no Brasil, em busca de Yvy Marã Eÿ, “Terra Sem Mal”, e que aparecem no documentário Canções de Resistência Guarani:
Diante do descalabro da violência mundial, este livro apresenta duas tradições milenares, desde sempre separadas pelo maior de todos os oceanos, que justamente se chama Pacífico. A autora, nascida na cultura do consumo e da trapaça do Ocidente, após estudar Antropologia Religiosa, desprende-se das amarras capitalistas e nos presenteia com um conto no qual a cultura oriental encontra-se com a indígena. Para a surpresa do leitor, estas visões culturais, normalmente consideradas díspares, revelam-se semelhantes em muitos aspectos. Unidas, analisam a cultura ocidental contemporânea de modo singular, fazendo-nos perceber que talvez não sejamos tão civilizados quanto supomos. E que o deus mercado pode ser facilmente atingido. Alguns trechos do livro: “_ É inaceitável que questões religiosas continuem a causar mortes diárias no terceiro milênio. Este é o mandato da ignorância. Ainda estão a lutar protestantes contra católicos, judeus contra muçulmanos, os herdeiros do puritanismo americano contra os fundamentalistas islâmicos a guerra da extrema direita contra outra direita extrema agora que o deus mercado foi atingido. E se dizem países adiantados! ”. “O povo guarani sofreu na própria carne a guerra de destruição que agora seguem, estarrecidos, na tela da televisão. Ao ver este pesadelo, novamente desperto, do outro lado do mundo, são tomados de renovada emoção”.


http://hernehunter.blogspot.com.br/2010/01/paje.html

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