Ecos de “Vozes”

“Por que falamos de crise capitalista e justiça social e ambiental?”
Foto: Daniel Hammes

Nem todos os visitantes do Jardim Botânico de Porto Alegre perceberam, mas aquele grupo sentado em rodinhas de quatro ou cinco pessoas estava participando de uma das primeiras atividades do Fórum Social Temático 2012. Se o FST só inicia oficialmente na próxima terça-feira, 24, diversos eventos já antecipam a mobilização nas quatro cidades onde encontro vai ocorrer (Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo).

 

Proposto pela Retrans (Rede Transcultural), o encontro batizado de Vozes, nesse sábado, 21, perguntou: “Por que falamos de crise capitalista e justiça social e ambiental?”. Eduardo Cezimbra, um dos organizadores da atividade, conta o que ela tinha de diferente: “Aqui ninguém veio para ouvir algum super-entendido falar. Aqui todos vieram escutar e falar também”.

Por isso, na parte da manhã, os cerca de 60 participantes do Vozes formaram uma escultura viva no formato de uma orelha, que se tornou uma espécie de palco para que todos se expressassem. “Tivemos dança, poesia, música”, conta Cezimbra.

O arte-educador popular Dan Baron, 54, foi o facilitador do Vozes, apesar de ele mesmo não gostar desse rótulo: “É tudo uma produção coletiva. Nós apenas fazemos a pergunta certa para iniciar o processo”. Nascido no País de Gales, Baron mora desde 1998 no Brasil e atualmente vive em Marabá, no Pará. Ele explica a função do evento: “A idéia é criar um ambiente de confiança para que as pessoas se integrem”. Buscando essa integração baseada na confiança, depois das atividades da manhã e do almoço, os participantes se dividiram em grupos para trocar experiências.

Já integrados, se reuniram em uma grande roda e, depois de uma canção, sentaram-se para a parte final do Vozes. Dan pediu a palavra e sugeriu: “Que tal se cada um contasse seu projeto para 2012, mas para isso usasse o intervalo de uma respiração?”. Um a um, os participantes falaram. Coube à filha de Eduardo Cezimbra, Flora, sintetizar o espírito do encontro: “Meu objetivo é reconhecer dentro de mim todos os seres da terra”, disse a jovem, saudada com os aplausos do Vozes, que eram as mãos para cima abanando. Nada de palmas.

Para finalizar, Cezimbra contou uma história, também do tamanho de uma respiração e também um chamado: “Encontrei um homem que uma vez me apontou uma plantinha no chão e me pediu que cuidasse dela, para que pudesse se tornar uma frondosa árvore”.

Quando acabou, ninguém foi embora, mas ao invés disso pegaram canetas e papeis para anotar os contatos dos demais participantes, guiados apenas pela afinidade entre todos. Cezimbra finalizou: “Quase ninguém aqui se conhecia, mas tecemos redes juntos e agora somos parte de uma comunidade. Esse é o ponto máximo do que planejávamos para o Vozes. Excedemos em muito o que queríamos”.

O Jardim Botânico terá diversas outras atividades durante o FST 2012.

Assista aqui ao vídeo sobre o evento.

Fonte: Carta Maior, fotos de Ivan Trindade. Reportagem: André de Oliveira.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s