A Arte de Educar

 

Seguindo pistas em uma busca pessoal

 

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Arteeducador Dan Baron no “Vozes” no Jardim Botânico de Porto Alegre

Por Eduardo Sejanes Cezimbra

O cenário é o mesmo, seja à direita ou à esquerda (mesmo no centro): uma sala de conferências, com um “palco-púlpito” mais alto que a sala com cadeiras dispostas linearmente feito linha de montagem, um sistema de som possante para amplificar uma voz -e tão somente uma -, para reforçar o papel passivo do expectador do espetáculo que se desenrolará à sua frente. Perfeito para ficar “por cima” no palco.

Agora o cenário está montado, seja para um fórum de direita ou um fórum de esquerda, seja para uma conferência sobre cultura erudita ou cultura popular, mas seguirá sendo uma palestra, digo mais, um discurso monológico, em que apenas o orador detém o poder de amplificar suas palavras de ordem.

Sei bem, o caro leitor já cansou apenas com a descrição de mais um evento público em que logo estará divagando enquanto o esforçado professor, conferencista ou candidato a um cargo despejará em jorros suas palavras iluminadas a um público apagado, apático e cansado com tantos discursos.

A maioria dos encontros com este formato acadêmico tendem a não dar em nada ( o que talvez seja o objetivo inconfessável dos mesmos). Em congressos científicos é comum ouvir que o mais produtivo são os encontros de corredor nos intervalos da programação, que alguns apelidaram de “rádio corredor”.

A exceção são palestrantes treinados, políticos e pregadores carismáticos que conseguem captar a atenção da plateia com dotes histriônicos para vender seu peixe através de técnicas manipulatórias da consciência.

Como dentista comunitário e ativista social logo me dei conta que se eu seguisse atuando desta forma acadêmica o que eu conseguiria seriam mais olhos opacos, cabeças viradas para a janela e bocejos discretos, quando não uma soneca em plena sala de aula ou auditório.

Empenhei-me, então, em encontrar maneiras de tornar mais proveitosas as reuniões e encontros que produzia e atuava muito imbuído já da proposta de convivialidade do sociólogo Ivan Ilich, autor de várias obras questionadoras do establishment.

Foi com satisfação que li sobre o “Milionésimo Círculo” , uma proposta da psiquiatra, analista junguiana e feminista Jean Shinoda Bolen que elabora a tese sobre o poder para mudar o mundo através da organização de um milhão de círculos de mulheres. Inobstante você ser cético sobre a mística do “Milionésimo Círculo” considere um espaço circular. Já fica diferente da sala de aula, do auditório quadrado com um palco e cadeiras enfileiradas, concorda?

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Círculos possibilitam igualdade

Já com a ideia de círculo rodando na minha cabeça eis que me deparo com o Processo de Decisão por Consenso, muito utilizado em ecovilas mundo afora, que traz muito da tradição nativa norte-americana de sentar em círculo para tomar decisões que afetam toda a tribo.

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Oficina de Teatro do Oprimido

O Teatro do Oprimido, desenvolvido por Augusto Boal, teatrólogo brasileiro reconhecido internacionalmente, exercita a transformação e propicia maneiras de motivar pessoas e comunidades para terem a capacidade de mudar a situação de opressão que enfrentam cotidianamente através de varias técnica e apresentações teatrais que levam o expectador para “expectator”.

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Mestre Griô Giba Giba

A Pedagogia Griô é outra metodologia da tradição oral africana que encanta a todos pois reúne as pessoas em grupos que através da dança, do canto e dos encontros vão tecendo uma auto-organização de forma participativa e descontraída.

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“Vozes” no Jardim Botânico de Porto Alegre

Por último, mas não por fim, temos a Alfabetização Cultural, proposta do arteducador gales Dan Baron que apresenta sua pedagogia dialógica baseada na arteducação e no Curso Transformance que busca transmutar a sala de aula em palco dialógico, com sensibilização corporal para derreter as barricadas da cultura de resistência introjetada em cada um de nós por meio de histórias de vidas pessoais e coletivas e da sensibilização.

Posso assegurar aos leitores que estas metodologias que destaquei em negrito obtém resultados que para quem está de fora são inacreditáveis. Digo isso porque já as experimentei pessoalmente e a potência destas metodologias inovadoras excede qualquer expectativa.

Pretendo contar mais sobre elas neste blog, aguardem as próximas postagens.

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