O sagrado território do Saber

Kaká Werá

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Quando em 1993 iniciei, junto com Daniel Munduruku e Olívio Jecupé, a ideia de nos mobilizarmos através de uma literatura, com o propósito de expor melhor a cultura indígena do país, um ou outro antropólogo disse que isso não era coisa de índio; que coisa de índio era andar pelado e pintado de urucum. Eu disse que uma coisa não excluia a outra. De vez em quando, nos momentos adequados, ainda pintamos o corpo de urucum, mas que expressar através da escrita as nossas visões de mundo poderia ser também um ato cultural e legítimo.

 Muitos anos se passaram e hoje somos mais de 60 escritores das mais diversas etnias em todo o país.Com mais de 150 títulos publicados e mais de 2 milhões de livros vendidos. Já existe um mercado literário e uma feira cultural literária específica para essa arte, com o apoio desde o início da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil).
A maior parte destas obras enaltecem o valor sagrado que é respeitar a natureza, os animais, a pluralidade étnica. Revelam visões de mundo diferentes, estimulam a inteligencia humana a vislumbrar novas possibilidades de relações. ou seja, é um serviço educativo que se presta á sociedade como um todo.
O fato de utilizar ferramentas, no caso a escrita, diferentes do que tradicionalmente seriam as destas culturas não diminuem a autenticidade e a qualidade da expressão. Além disso, criam a possibilidade de haver uma aproximação de culturas diversas em uma coexistência pacífica e criativa.
Os povos indígenas estão usando a literatura, a pintura, a câmera de TV, o computador, o teatro, a dança e outras tecnologias para comunicarem algumas coisas ao mundo. Desde inquietações filosóficas, políticas, sociais, até a exposição de seus valores e crenças. E isso é uma estratégia de abertura, busca de diálogo e também de resistência cultural.
 O que nós queremos com isso? Revelar a pluralidade de saberes e também reconhecer que uma cultura é viva quando ela também se permite acolher traços e códigos culturais de outra. Que o fluxo da vida é dinâmico, possível de haver interações diversas. Além do mais, desfolclorizar essa idéia congelada das matrizes que fundaram essa nação hoje chamada Brasil.
                                                                            Ψ
Kaká Werá, índio de origem tapuia, foi adotado e adotou a cultura guarani como fundamento do seu viver. É escritor, autor de cinco livros abordando a temática indígena; integrante de um movimento que se utiliza da literatura como uma ferramenta de luta social que reúne hoje mais de 50 escritores indígenas.
Empreendedor social e ambientalista, reconhecido e premiado pela sua ação com diversas comunidades do sudeste do Brasil nos últimos vinte anos. Conselheiro da Bovespa Ambiental&Social desde 2003. Membro de juri do Premio Ford de Ecologia e do Premio Eco da Câmara do Comércio Exterior, foi responsável pelo fomento de inúmeras ações ambientais no terceiro setor e no meio empresarial.
Fundador e integrante da URI (Iniciativa das Religioe Unidas), com cadeira na ONU contra o sectarismo religioso, desde 1998.
Especializou-se em educação em valores humanos e cultura de paz através de diversos cursos e formações no Brasil e no Exterior, sendo o mais significativo seu aprendizado na Índia com S.S. Dalai Lama.
Conferencista internacional, já palestrou em 10 países, entre eles: Inglaterra, Estados Unidos e Israel.
Para acessar a publicação original, clique aqui
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