Tambores de África no RS

OKAN ILU, O Tambor do Coração

 

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Tambores de África no Rio Grande do Sul afirmam raiz afro-brasileira

Por Eduardo Sejanes Cezimbra

“Por acreditamos que as verdadeiras conexões, aquelas que possibilitam a transcendência são feitas pelo Okan (coração) nós te convidamos para participar do OKAN ILU. Meu Okan batendo forte como o toque de um Alabe em seu Ilu me eleva aos braços da Mãe África. Se o seu Okan bate tão forte como as mãos de um Alabe quando em plena comunhão com o Ilu, então traga o seu Tambor e venha unir-se a nós neste Ipade de Mestres, Diéles e aprendizes para honrar a ancestralidade e vivificar a nossa cultura.”

O convite deste evento diz muito do que aconteceu neste sábado, 12/12/2015, em uma comunidade quilombola cerca de 50 Km do Centro de Porto Alegre.

Assim foi o encontro de Mestres, Diéles e Aprendizes do Alabê, no Omorodê Ponto de Cultura, da Comunidade Kilombola Morada da Paz, no Km 410 da BR-386, na Localidade de Vendinha, Triunfo/RS.

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Ilu Akin, Paulo Romeu e TC

Os tambores de diferentes tradições se encontraram e ecoaram em uníssono como sabem soar os tambores vindos de África, com a presença dos tambores nigerianos de Idòwú Akínrúlí, Ilu Akin  do Ijeji, que tocou seu ritmo seco e fremente acompanhado pelos tambores do Grupo Africanamente, o tambor de Mestre Griô Paulo Romeu do Afrosul Odomodê e o tambor de Mestre TC, do Ponto de Cultura Tainã, de Campinas.

Não faltaram também os tambores do Maracatu do Ponto de Cultura Omorodê, na figura dos aprendizes Guilherme Sena e Francisco Gonçalves, aprendizes com pinta de mestres.

Embaixo de uma centenária e frondosa figueira, abrigados do forte sol e calor, pessoas reunidas em círculo apreciavam um verdadeiro encontro de corações abertos ao ritmo pulsante de tambores de várias tradições sem equipamentos eletrônicos e principalmente sem a discutível “espetacularização” das culturas populares brasileiras, que retira o caráter de ritual e de celebração dessas manifestações.

Mestre Jorge, do Bairro Restinga,  diz que  “quando perguntaram a um compositor negro o porquê de ele conseguir compor tantas músicas originais, ele respondeu: eu gravo o som dos trovões, cada trovoada tem uma batida única. Assim como os tambores, cada tambor reproduz as batidas do coração de quem  toca”.

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Mestre Jorge , primeiro à esquerda

Mestre Jorge é do samba de raiz e seu grupo puxou uma roda de samba às margens do açude de águas frescas e limpas da Morada da Paz., entreamada por histórias de vida e de resistência de um Mestre Griô que comoveram a todos.

Importante registrar o depoimento deste Mestre  que contou aos presentes na roda de samba de sua intensa emoção ao chegar no território da Comunidade Kilombola Morada da Paz: “aqui encontrei minhas raízes!”

“Foi lindo povoo! Estar ao pé daquela figueira, ver os tambores conversarem com tanta harmonia, ouvir os mestres, partilhar com tanta profundidade, foi realmente único! Gratidão a todos que se possibilitaram essa vivência! Asè!!!!”, Sandra Vilanova expressou assim a beleza do encontro de um sábado que tocou fundo o coração de todos os presentes.

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Mestres, aprendizes e membros da organização do Okan Ilu

Álbum de fotos em Ecologia dos Saberes no Facebook

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