A Teimosia da Imaginação

O caso emblemático da melhor bonequeira de Minas Gerais, Mestra Dona Izabel Mendes da Cunha

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Eduardo Sejanes Cezimbra

“Teimosia da Imaginação” é o nome escolhido com muito acerto e propriedade para a série de documentários que atualmente é exibida no Canal Curta retratando a vida e obra de artistas populares do Brasil.

A expressão “teimosia da imaginação” remete a uma reflexão: se com tão poucos recursos são capazes de obras tão expressivas, o que não fariam se tivessem o devido e merecido apoio?

Um caso emblemático é o da hoje considerada melhor “bonequeira” de Minas Gerais, Mestra Dona Izabel Mendes da Cunha, falecida aos 90 anos, ano passado.

cabeçaIzabel Mendes da Cunha é uma das artistas brasileira mais reconhecidas no exterior graças ao seu feitio todo próprio de esculpir suas peças de cerâmica, que ela chamava carinhosamente de bonecas.

Com uma história de vida de muito trabalho e dificuldades no agreste mineiro, na fazenda Córrego Novo, ajudava sua mãe a cuidar de crianças e sonhava com bonecas, que ela nunca tinha visto, por isso confeccionou suas primeiras com sabugo de milho que enfeitava com panos.

Aprendeu a confeccionar utensílios de barro que vendia mais facilmente, como panelas, potes e jarras, bem como figuras de presépio, mas o seu pendor artístico falava mais alto e começou a fazer bonecas pequenas e médias para conseguir também vendê-las.

“A gente fala que mulher é parte fraca…Parte fraca é aquela pessoa que não garante”, lembrando a perda do marido e a sua luta para sustentar os filhos sozinha, trabalhando na roça e após com suas esculturas de barro.

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Gostava de esculpir noivas cuidadosamente enfeitadas com grinaldas, buquês e vestidos luxuosos.Outra predileção era por mulheres amamentando com os olhos fitos em um horizonte distante. Olhos que gostava de pintar de azul, em lembrança aos olhos do pai.

Reconhecia o valor de sua arte e cobrava preços altos para o poder aquisitivo de seu povoado no Vale do Jequetinhonha sendo obrigada a viajar a cidades próximas da rodovia Rio-Bahia onde começou, aí sim, a vender as suas peças e chamar a atenção dos viajantes e do prefeito de sua cidade que começou a adquir suas bonecas em cooperação com o conselho de desenvolvimento da região.

“Eu prefiro mais o artista que o artesão”, afirmava Dona Izabel que preferia ser chamada de artista do que de artesã.

Quanto à sua técnica diz “É uma coisa que a gente não sabe nem falar. É um pensar da gente ali que tá parecendo aquilo que a gente tá pensando fazer… É duas formas…são as mãos da gente”…

E como toda Mestra que se preze ensinou seus filhos e a moradores de Santana do Araçuaí a sua arte com o barro que hoje conta com 38 artesãos em torno de uma associação que tem em Dona Izabel  a pessoa que lhes mostrou um caminho feito com duas mãos, barro e imaginação.

A história de Dona Izabel mostra bem o quanto é importante para todo artista ter, além de seu talento, o apoio de políticas públicas que alavanquem a sua arte, pois ganha o artista e todos ao seu redor.

Assista o documentário clicando aqui

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